Com a expansão e crescimento do cristianismo, este se tornou uma força dominante. A partir do envolvimento estreito com o poder secular, imperial, o cristianismo deixou de ser uma religião perseguida e malvista, e em fins do século IV tornou-se a Igreja única e perseguidora do paganismo.
O período anterior ao imperador Constantino foi marcado pelo distanciamento da Igreja em relação ao “Estado”. O cristianismo reivindicava um exclusivismo absoluto. Além dessa novidade o cristianismo também introduziu na sociedade novidades em relação à civilização antiga: distinção entre religião e política; reivindicação da liberdade de consciência no relacionamento com Deus.
FASES DA PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS: DE NERO A DIOCLECIANO.
Fatores que geraram e fomentaram as perseguições: recusa do reconhecimento da competência do estado em questões religiosas; propaganda anticristã por parte das comunidades judaicas; ameaça aos negócios (sacerdotes, comerciantes, adivinhos, astrólogos e mestres de escola); conduta moral severa; aura de mistério acerca da fé e das celebrações litúrgicas.
O primeiro período de perseguição aos cristãos (séculos I-II) é marcado pela aversão da opinião pública sobre os cristãos. Os principais imperadores que perseguiram a Igreja foram: Nero (54-68); Dominciano (81-96); Trajano (98-117); e Marco Aurélio (161-180).
O segundo período (século III ao início do IV) é marcado pelo fator político. Os imperadores que perseguiram a Igreja foram: Séptimo Severo (193-211); Maximino Trácio (235-238); Décio (249-251); Valeriano (253-260); Galieno (260-267); Diocleciano (284-305).
Enfim o imperador Galério (305-311), ao reconhecer que as perseguições não davam bons resultados, concedeu aos cristãos a liberdade de culto aos cristãos através do edito de tolerância (311), mas não lhes restituiu seus bens.
A GUINADA CONSTANTINIANA
Ao triunfar sobre seus adversários, Constantino, em 313, selou um acordo com Licínio (outro na disputa imperial), o protocolo de Milão. Neste acordo o cristianismo foi equiparado às demais religiões sendo mantida a liberdade de culto, e os bens confiscados dos cristãos lhes foram restituídos.
A partir de 337, o poder imperial foi exercido pelos filhos de Constantino: Constantino II, Constante e Constâncio. Houve neste período uma tentativa de restabelecimento do paganismo através do sobrinho de Constâncio, que em 361 foi proclamado imperador pelo exército das Gálias.
Em 27 de fevereiro de 380, o imperador Teodósio impôs a todos os cidadãos a religião cristã. Todos teriam que professar a fé da Igreja. É a partir desta data que, oficialmente, o cristianismo se tornou a religião oficial do império romano, ou seja o cristianismo se tornou uma religião de estado.
Texto adaptado de MONDONI, D. História da Igreja na antigüidade. São Paulo: Loyola, 2006.
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