A doutrina da trindade, ou dogma trinitário, isto é a doutrina sobre as três pessoas da Santíssima Trindade está presente na Bíblia e foi delineada em contornos mais precisos ao longo de anos e diversos concílios da igreja cristã. Ela trata da identidade, natureza e relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Vamos compreender seu desenvolvimento histórico através dos concílios ecumênicos de: Nicéia (325), Constantinopla (381), Éfeso (431), e Calcedônia (451).
Estes concílios são chamados “ecumênicos” porque pretendiam reunir toda a cristandade (todo o mundo habitado), ou seja, representantes de todas as igrejas cristãs. Hoje em dia a palavra adquiriu outro significado, um tanto diverso do que tinha no contexto ao qual nos referimos.
A obra do concílio de Nicéia ( ) é dupla: a condenação de Ário e a elaboração de um símbolo de fé trinitária. Este ficou conhecido como credo niceno e foi retomado e completado no concílio de Constantinopla.
No concílio de Constantinopla ( ), convocado pelo imperador Teodósio, ainda foram tratadas questões sobre o arianismo e o Espírito Santo. Foram questões trinitárias e houveram dois aspectos doutrinários mais importantes: reafirmam fortemente as decisões de Nicéia contra o arianismo; e proclamam a divindade do Espírito Santo.
No concílio de Éfeso ( ) foi decidido pela união real das duas naturezas em Cristo, a humana e a divina, e o uso do termo theotokos (genitora de Deus) para se referir a Maria, mãe de Jesus. Um outro partido achava que o termo mais apropriado seria christotokos (genitora de Cristo). O problema mais combatido foi o nestorianismo, que acentuava as diferenças entre as duas naturezas de Cristo.
A heresia monofisita, uma só natureza, proclamada por Êutiques, foi condenada no concílio de Calcedônia ( ). Este concílio reafirmou as duas naturezas de Cristo e explicou que ele é consubstancial ao Pai, isto é de mesma substância.
Substância: hoje, a palavra significa natureza ou essência; em teologia trinitária, o que os três têm em comum. Mas no século IV muitas pessoas ainda a empregavam em um sentido mais concreto: o que existe, o ser.
Hipóstase: nós a entendemos no sentido de ser individual concreto, pessoa. Há algumas confusões quanto ao uso do termo como um sinônimo de substância.
Subordinacionismo: posicionamento teológico no qual as três pessoas da Trindade estão subordinadas umas às outras. Este subordinacionismo geralmente é entendido substancialmente, mas também pode ser funcional.
Monofisismo: nesta heresia os contrastes entre as duas naturezas de Cristo são diminuídas e, nos casos mais problemáticos (eutiquianismo), até anuladas.
Referência bibliográfica:
MEUNIER, B. O nascimento dos dogmas cristãos. São Paulo: Loyola, 2005.
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